sexta-feira, dezembro 24, 2010

segunda-feira, dezembro 20, 2010

lua cheia


lua

mais

que

cheia

bela

esfera

flutuante

esse

poema

não

é nominal

ao seu

diâmetro

és

a

bola

da

minha

infância

és

a

moeda

da

gratidão


Oreny Júnior

domingo, dezembro 19, 2010

minha menina

...era uma vez uma menina, que brincava de empurrar a cama pra dormir com a tia... todas as noites era a mesma melodia... cresceu almoçando com o avô... ela tinha os cabelos cachos de ouro... véus em espigas de milho... essa menina é a minha levada da breca... hoje, essa menina nina seus sonhos... cubro-a todas as noites e faço versos ao pé do seu ouvido... versos sempre repetitivos... mais ou menos assim... eu te amo... papai te ama...e assim vamos fazendo do nosso pensamento, a menor distância...
abraços minha menina iwska...
seu amigo...

Oreny Júnior

sexta-feira, dezembro 17, 2010

no canto da graúna

nos campos do cerrado
os pássaros negros
ceiam junto do meu amor
são os campos do senhor
de passagem os cantos
voam nos braços do meu amor
açoita minha grauna
busca longe a melodia do meu amor
nos campos do cerrado
todos os dias
elas louvam um sonoro
bom dia!!!!!!!!!
é um açoite do meu velho pai
ai ai ai!!!!!!
quanta saudade do meu velho ranzinza pai
sua benção meu querido
meu velho
meu amigo

Oreny Júnior

domingo, dezembro 12, 2010

sol...lindão!!


...ele se vai
me esvai...
vai dormir
com os meus...
quem diria
vai nascer
n'outro lugar...
esse brilho
esse sol...
...lindão
Oreny Júnior

domingo, dezembro 05, 2010

...saudade

na antiga casa da rua caruarú
na cidade da esperança
meu pai criava desde galos de campina a canários da terra
era berço de procriação
periquitos australianos
canários belga
pintassilgos
pintagol
o pintassilgo com a canária belga
nascia o pintagol
esse estéril
interessante essa natureza..
patos
marrecos tipo viuvinha
fififiuuuuuuuuu..
cão perdigueiro
e papagaio falador
pornográfico até..
na antiga casa da rua caruarú
hoje é só saudade..
..e o vento levou

Oreny Júnior

sábado, dezembro 04, 2010

coisas de poeta

quando criança
os sonhos de noiva
adoçavam meus desejos
mas não tinha dinheiro
ficava só no desejo
aquele amarelo ouro
escorrendo nos balcões das padarias
nossa!!!!!!!!!!!!!!
na cantina do celestino
comprava um pão carteira
e comia puro
era...
puta que pariu
vem cada lembrança!!!!!
mas a que mais me doeu
foi quando o capitão pereira
tomou a minha bola de couro nº 4
essa foi de fuder!!!!!!
não se toma brinquedo de criança..
triste lembrança
coisas de poeta
abraços

Oreny Júnior

quinta-feira, novembro 25, 2010

...no facho da poesia

num exército
de palavras
guardo
poemas
para
serem
lidos...é inverno!!!!
degusto
favos
saboreio
flores
beijo
a
noite
saio
a
sua caça
te
devoro
no facho
da
poesia

Oreny Júnior

quarta-feira, novembro 24, 2010

de cascudo a manoel de barros

to com os cachorro da mulesta
com vontade de tomar uma sopa
de carne bem feita pela maga
comer aquele pão francês
com queijo de coalho bem assadinho
daqueles que não pega na frigideira
to com a bixiga taboca
puto da vida
com essa distância que mata
qualquer caboco
principalmente em noites enluaradas
ô meu deus sertanejo
fazei com que chegue logo esse jegue
e saia voando direto pra natal
saudade e dor de dente
só sabe quem tem
mas...
a minha vida é essa
pião
de trecho em trecho
garimpando o pó da poesia
de cascudo a manoel de barros
é um pulo
é um açoite
é um verso...

Oreny Júnior

domingo, novembro 21, 2010

ABC CAMPEÃO BRASILEIRO

ABC
como é grande o meu amor por você
ABC
de xarias e cangulos
ABC
de vazantes e ribeirinhas
ABC
de putas, biriteiros a doutores
ABC
da zona norte a ponta negra
ABC
numa cidade de nome Natal
existe um povo chamado
ABC

Oreny Júnior

domingo, novembro 14, 2010

sussurro

sussurro no pé do teu ouvido
verbos dilacerados
versos desconjugados
sussurro na fina flor
vulva rósea
gemidos desconcentrados
sussurro de palavras
em ranhuras de poesia
em versos dilacerados
em verbos desconjugados
sussurro em cartas
não remetidas
caixas postais vencidas
em estradas
ah! não percorridas
sussurro meu amor
nesse leito peito
imaginário de poesia
sussurro...

Oreny Júnior

sábado, novembro 13, 2010

o infarto do poema

saudade dos meus
como gostaria de poder abraçá-los
beijá-los
poder dizer nos olhos de cada um
o quanto eu os amo
saudade dos meus
iwska eu te amo
iury eu te amo
paixão eu te amo
mamãe, papai eu te amo
meu irmãos eu te amo
oh dor
que estreita esse mar
em lágrima
olhos de canal
mar lacrimal
o homem morre
quando é retirado do seu solo
extraído brutalmente
desse útero geográfico materno
saudade meus amores
aqui jaz um poema

Oreny Júnior

quarta-feira, novembro 10, 2010

nosso amor é sazonal

nosso amor é sazonal
qual fruto de época
mangaba
manga
cajú
antigamente
era eu e tú
hoje
é tú sem eu
e eu sem tú
nosso amor é saudade
qual mercearia
com mortadela fluminense
e balança de ponteiro filizola
hoje
nosso amor esmola
um pouquinho aqui
um tiquinho acolá
eita amor sem rumo
sem sorte
sem norte
nosso amor é sazonal

Oreny Júnior

sábado, novembro 06, 2010

loba

o uivo da loba
assombra meu silêncio
há um hiato
entre o grito
e a nossa solidão
a loba uiva
varam madrugadas
e os nossos desejos
vão para o ralo
com ele
sangue
suor
esperma
solidão
raia o dia
cheiro o chão
à tua procura
loba maldição

Oreny Júnior

quarta-feira, novembro 03, 2010

sertão

embrenhar
na tua mata
e ser teu fojo
puxar essa touceira
lascar tua lenha
de mufumbo
mulungu
marmeleiro
assar teu ñambu
e ser teu macho
pro resto da vida
de sertão em sertão
amém

Oreny Júnior

terça-feira, novembro 02, 2010

...luas

às luas
que partiram
pálidas de cor
paridas de dor
luas partidas
em míngua
nova
crescente dor
luas que levaram
na língua
o desejo
no peito
meu pranto
das tantas que se foram
e das tontas que
ainda hão de vir
que sejam breves
pois
dor que é dor
é duradoura
finjo que te vejo
e
cerro meus punhos

Oreny Júnior

segunda-feira, novembro 01, 2010

ontonte...

malassada é bom
ruim é tomar banho
com caco de telha e sabugo
pra tirar o grude do pescoço
já passei miticoçan pra matar xanha
nunca andei a cavalo
nunca andei de trem
nem tanquanto pesquei
faz tempo que não como
cavaco chinês
a pisa que mamãe me dava
era de sandália havaiana
ainda hoje escuto o choro da infância
descí muito de tábua de morro
pulei barreira
brinquei de garrafão
só bebia caranguejo em nazi
tenho máquina de datilografia
telefone de baquelite
e um rádio ABC
a voz de ouro
bebia com meu irmão orlando
nos cabarés de sônia
e de maria creuza
parece que tô ouvindo
zé ary narrar
olha o cú de burro na área
êta saudade que mata
mata mais que coice de burro brabo
saudade dói
dói
dói...

Oreny Júnior

domingo, outubro 31, 2010

cansei...

cansei de ser poeta
em poesia ausente
onde você
sujeito dos meus textos
não tece mais
essa lã esquecida
cansei de ser poeta
em tempos vãos
onde os papiros
não mais respiram
a sujeira das nossas mãos
cansei de ser poeta
de clube de esquina
onde você sempre
faltou no melhor chopp
na melhor gargalhada
cansei de tanta virtualidade
quero o amor de mercearia
prego batido
ponta virada
cansei meu amor
ATENÇÃO PARA A CHAMADA
faltou!!!!!!!!

Oreny Júnior

sexta-feira, outubro 29, 2010

anjos...

anjos movem moinhos
passam páginas de livros
sopram ventos
usinam almas
anjos dão cartas
lavram palavras
papiramente
anjos caatingam veredas
no perfume dos
marmeleiros
dos juazeiros
anjos são escudeiros
anjos espantalham
roçados
na sertanidade
de minha alma

Oreny Júnior

quarta-feira, outubro 27, 2010

imaginação

siga-me
pois
pressinto
as pegadas
que deixaste
no recinto
e recito
a poesia
do faz
de conta
do
adedonha
a bola
de gude
é seu planeta
e eu
sua figurinha
carimbada

Oreny Júnior

domingo, outubro 24, 2010

ABC

ABC
ABC
ABC
como é grande
o meu amor
por você
ABC
ABC
ABC
alô deus
a frasqueira
lhe agradece senhor
ABC
ABC
ABC

Oreny Júnior

quarta-feira, outubro 20, 2010

um homem com uma dor

um homem com uma dor
é muito mais elegante
caminha assim de lado
como se chegando atrasado
andasse mais adiante

carrega o peso da dor
como se portasse medalhas
uma coroa um milhão de dólares
ou coisas que os valha
ópios édens analgésicos
não me toquem nessa dor
ela é tudo que me sobra
sofrer, vai ser minha última obra

Paulo Leminski
(1944-1989)

segunda-feira, outubro 18, 2010

graveto cinza

olha o graveto cinza
na floração de um poema
parece que morre
mas somente dorme
no sulco de um chão sertão
basta três pinguinhos d'agua
que os versos brotam
irradiando nossa imaginação
é fulô que cheira
puro fulô do mato
graveto cinza
mata branca
como é linda nossa caatinga
pau de umburana
xique xique
mel da cana
cana do canaviá
eita sertão velho
do eterno oswaldo lamartine
mata branca
que riqueza
minha varanda
é da dura massaranduba
e a minha rede
veio de lá
do algodão mocó
de cajazeiras a caicó
chega dona zefa
já comecei a chorar

Oreny Júnior

sexta-feira, outubro 15, 2010

ninando sonhos

desde menino
nino
palavras
embaladoras
de sonhos
afugento fantasmas
semeio sílabas
jogo-as pro ar
assim
"de afoito"
com as que caem
junto
em quebra cabeça
nesse
labirinto
emaranhado
mundo
da poesia

Oreny Júnior

quarta-feira, outubro 13, 2010

ceus...

os anjos sairam
dos meus ceus
nem todos os ceus
são azuis
deixem o sal
na minha boca
o sol na minha roupa
nem todo mar é vermelho
nem todos se arreganham
nem todos dizem amem
jurunas
terenas
potiguar
guarani
sting não promove a paz
raoni não conhece a maldade alheia
um souvenir
a troco de um xibiu
nem todo ceu é ceu
nem todo mar é mar
pero vaz mentiu
na escrota
imaginária poesia

Oreny Júnior

domingo, outubro 10, 2010

fulô natal

morena
se você
deixar eu olhar
nos seus olhos
eu faço um rabisco
no chão
e digo que é uma poesia
ou melhor
faço um rascunho
no seu coração
e digo que é amor
morena
dos olhos meus
flor jambeira
flor cancioneira
flor do seridó
ao litoral
minha flor
natal

Oreny Júnior

quarta-feira, outubro 06, 2010

madame frigidaire

colchas
retalhos
chenille
vazilhas
polietileno
tupperware
madame
frigidaire
cacarecos
louças
canecos
pinicos
desnecessaire
bijouterias
cosméticos
domésticas
rosto branco
com talco
e sabonete
palmolive
absorvente
pano encharcado
com o sangue
de um sertão
sem horizonte
mamãe
era madame
frigidaire
do cheiro verde
aos din din's
do puro coco
queimado
prateleira
chão de cimento
queimado
molhado
com os banhos
dos passarinhos
assim
era mamãe
frigidaire
necessaire

Oreny Júnior

segunda-feira, outubro 04, 2010

eita sertão...

eita sertão
mais que bão
bão sô
cinco hora da manhã
a muié fez o fogo
um cafezin
quentin
quentin
eita sertão
mió num pode sê
uma reza
a pade ciço
outra a frei damião
meia cuía de farinha
e rapadura no borná
e vou mimbora catar chão
lá eu sou amigo do rei
planto mio
feijão de corda
jirimum
a água é de cacimba
barro puro
docinha
docinha
o sargado do almoço
é um preá
ou um tatú
mei dia
sol a pino
chega por hoje
vou mimbora pro sertão
lá eu sou amigo do rei
eita sertão
mais que bão
mió num pode sê
galo canta
macaco assuvia
eita sertão
bão
bão que só
de bixiga taboca
a três no talo
uma sueca
fumo de rolo
e uma goipada
vixe cumpade
que bufa pôde
eita sertão
mió num pode sê...

Oreny Júnior

domingo, outubro 03, 2010

nenhum canto...

nenhum canto
é melhor que o meu canto
eu canto meu quintal
meu chiqueiro
meu varal
minha cerca de pau a pique
eu canto
o canto da graúna
do xexéu de bananeira
do sabiá gongá
nenhum canto
é melhor que o meu canto
eu canto meu quintal
a poça d'agua correndo
pro bananal
nenhum canto
é melhor que o meu canto
sou xodó de motorista
sou o rabo do jumento
sou luís de seu gonzaga
nenhum canto
é melhor que o meu canto
quando espiro
digo saúde
quando me espanto
falo oxente
nenhum canto
é melhor que o meu canto
só sabe disso
quem sente a saudade do seu canto

Oreny Júnior

sábado, outubro 02, 2010

quatro contos de palavras

quatro contos de palavras
o troco eu quero de poesia
pode embrulhar
que é pra viagem
no pacote escreva
FRÁGIL
palavras se quebram
evaporam-se
no trago da eternidade
...e o verbo se fez carne
quatro contos de palavras
o troco me traga
de quintana
de bandeira
de joão antonio
de torquato
quatro contos de poesia
o troco me traga de palavras

Oreny Júnior

quinta-feira, setembro 30, 2010

a alvorada da palavra

as palavras dormem
no sono em sonho
aí vem a alvorada
e no despertar da palavra
um rebuliço de letras
dançando nesse universo cósmico
imaginando-as
que poema formarão
em forma de anéis
com seu núcleo regendo o espaço
físico e emocional
aí nasce o homem
pra recitar a palavra já dita

Oreny Júnior

quarta-feira, setembro 29, 2010

um histórico poema

leite ilnasa
deda turismo
quadra 51
viação nossa senhora aparecida
seu cocó
seu joel
seu djalma
dona zefinha
seu lopes
capitão pereira
clube intermunicipal
vênus futebol clube
csu
sítio do soldado
campo do cabugí
dona joaninha
seu otacílio
lagoa de manoel felipe
manoel quintino do rego
ruy siqueira
avenida dez
leprosário
morro do careca da cidade da esperança
dona francisca curandeira
seu oreny carteiro
bicho de pé coçando em punho de rede
horário intermediário
cinco irmãos dormindo na sala
uma rede entrançada na outra
seu joaquim com paçoca e queijo de coalho
manel beleza
uma história no rumo da poesia

Oreny Júnior

domingo, setembro 26, 2010

feliz dia meu bem...


feliz dia meu bem

o amor está acima do sexo

só os loucos veem deus

feliz dia meu bem

o arco íris é o seu sol

sua libido brilha

na intensidade dos seus desejos

feliz dia meu bem

rimbaud foi feliz

verlayne tambem

oscar wilde com sua beleza

tambem foi feliz

e essa flor que desabrocha

será a rosa

dos meus encantos

da nossa felicidade


Oreny Júnior

sexta-feira, setembro 24, 2010

ponta negra

ponta negra
1938
os pés dos homens
devastam
as dunas da poesia
ponta negra
era bela
numa natal
mais que bela
beleza negra
onde o farol
namorava
a mais pura
das negras
um recanto
um olhar
uma saudade

Oreny Júnior

quinta-feira, setembro 23, 2010

flor potiguar


silêncio

é primavera...

as flores nascem

num eterno processo

de dor...

breve

estarei abraçando

a minha flor

mais bela

minha flor maria

minha flor potiguar


Oreny Júnior


segunda-feira, setembro 20, 2010

meu roçado

minhas lágrimas
escorrem como a manipuêra
escorre em caldo branco
caindo em sólidas féculas
nas arupemas do roçado
e assim vou cambaleando
com os chucalhos no pescoço
de roça em roça
como meieiro
ganhando aqui
perdendo aculá
num chove faz tempo
o céu nem anuncia
só trovoadas
no meu peito da saudade
e assim vou levando
a patativa nos meus versos
o gibão como sacola
e um versinho
dedilhado na viola
mas meu deus
não se esqueça deu não
eu tô aqui
nessa roça
sem fronteira
sem cumpade joão
nem mané valentin
vizinhos de cerca
somente a lembrança
de um quintal
chamado esperança...

Oreny Júnior

sábado, setembro 18, 2010

catingueiro

água de quartinha
pinga de alambique
rapadura batida
cuscuz com ovo
mel de engenho com farinha
macaxeira com carne de sol
feijão verde com manteiga da terra
ringido de rede
nossa senhora
quanta saudade da minha terra
da minha cozinha
do meu tira gosto
cerrado não se mistura com caatinga
sou catingueiro do potengy
do itans
do jundiaí
do ceará mirim
sou raciado com seridó
e alto oeste
sou catingueiro até a alma
sou nó de jurema roxa
sou macambira
marmeleiro
macumbeiro quando criança
sou raiz de ipepaconha
mangabeiro das dunas
camboim
remela de cachorro
quando cagava
limpava a bunda com cajueiro brabo
sou catingueiro
sou poeta
raizeiro
eu sou alma
sou nordeste
valente
cabra da peste

Oreny Júnior

sexta-feira, setembro 17, 2010

são josé de campestre

e o galo de antoin caipora
grita do alto da cumiêra
lions!!!!!!!!!!!!!
lions!!!!!!!!!!!!!
não cumia mais nenhuma galinha
de tanto medo do juiz da cidade...
chico fabrício quando ligava o liquidificador
para fazer uma abacatada
dava interferências nas televisão da vizinhança...
dado não fazia tiragosto pra galera
porque a gata tava dormindo na frigideira...
essas histórias só enriquecem a cultura de uma região
é a cultura popular na palma da mão
são josé de campestre
distante da minha natal 100 km
personagens que não saem de cena
o galo de antoin caipora
chico fabrício
que é cunhado de mário fabrício...
dado do midway
edinho de moacir
e o neguin de silas
é a cultura popular na palma da mão...

Oreny Júnior

quarta-feira, setembro 15, 2010

trem solidão

durmo nesse trem que não cala
nos vagões que assombram a saudade
o apito soa às 4 da manhã
e aguardo meu pai
vindo da antiga são rafael
trazendo lembranças
sequilhos
e o rosto cheinho de esperança
morava ali no alecrim
avenida nove
vila coronel estevam
eu
meu pai
minha mãe
e meus irmãos
saudade dos tempos de outrora

Oreny Júnior

domingo, setembro 12, 2010

...medo

com medo de mim
eu grito
paixão...
estou com medo de escuro
o bicho papão quer me pegar
estou com medo da viúva machado
com medo de mim
eu crescí e virei adulto
carregando comigo o medo de antes
dos bichos
das viúvas
dos lobos que uivam
júniooooooooooooorrrrrrrrr
eu não sei
mas o medo me persiste
durmo com meus medos
e minhas paixões
sem saber do amanhã
se estarei vivo
ou preso...

Oreny Júnior

liberdade

aqui os pássaros voam
libertam-se
das mãos dos cárceres
aqui os pássaros cantam
a suave melodia dos pântanos
aqui os pássaros dançam
o natural da poesia
caminho entre os pássaros
cumprimentamo-nos
num doce bom dia
aqui os galhos e flores
são seus leitos
e a água da lagoa
é seu mar
de mergulho...

Oreny Júnior

sábado, setembro 11, 2010

Família


Essa é minha família
Uma família de paz
De luz
Inspiração dos meus poemas
Amém...
Oreny Júnior

um setembro distante

estou no setembro, longe da minha terra, longe da minha flor de catingueiro, da minha flor de cactus, onde a macambira confunde-se com o fruto abacaxi, estou longe das floradas da arueira, do umbú do assú, do frondoso juazeiro, o setembro daqui é a flor do cerrado, flor do piqui, são belas tambem, mas a minha flor potiguar é a mais bela do meu quintal, é a flor bela, da poesia primaveril...

Oreny Júnior

sexta-feira, setembro 10, 2010

...gula

minha gula
lhe consome
consumo sua geografia
coordenadas
minha gula
lhe chupa
deixo teu mar
seco
onde os iceberg
afloram
em degelo
minha gula
enxuga
esse leite
em deleite
de arrecifes
e corais
imorais

Oreny Júnior

quinta-feira, setembro 09, 2010

alfabeto

seu V
é um deslize
nas curvas dunas
da minha periférica
cidade
em esperança
o seu alfabeto
eu sei de cor
seu abc
suas vogais
a, e, i, o, u...
o nosso hiato
é ponte
seu D
é delírio
seu ponto G
clímax
e aquele traço vertical
ah!!!!!!!!!!!!!
é um poema
de exclamação
!!!
gozo!!!!!!!!!!!

Oreny Júnior

quarta-feira, setembro 08, 2010

um silêncio qualquer

estou em silêncio
fotografando
sua lembrança
retratando
nosso lambe lambe
nas calçadas da antiga cidade alta
estou em silêncio
o sol é ocaso
e a noite dorme
e o meu silêncio
é vulcão...

Oreny Júnior

terça-feira, setembro 07, 2010

...só hoje

hoje
queria uma revelação sua
ou quem sabe
um clique foda-se
hoje
tá do caralho hoje
prometo meu bem
hoje eu te queria
aqui é 1 hora a menos
nosso dia teria 25 horas
em relação ao mundo
quando o amanhã chegasse
permaneceríamos no hoje
meu bem
minha paixão
hoje
eu

e a nossa poesia
faríamos a 2ª bomba nuclear
revirando o cú pelo avesso
hoje
só hoje
meu bem

Oreny Júnior

domingo, setembro 05, 2010

sinhá no cacau

o coito aflora a dentro
memória
suor a dentro
é cacau
é babaçú
não sei...
se é feto
ou fétido
e dor
dor em balaio
dor em vassoura
...de bruxa
que seca
minha esperança
se esvai
meu valor
minha herança
sou um campo
partido
vazio
onde as barcaças
viram
castelos
...de areia
sou a mulher
mulambo
esvaindo em sangue
puro sangue
de recôncavo
não muito sul
nem meio norte
sou a mulher
cacau
desabrochando
em flor
numa nova flor
clonada
de risos
mel
néctar
amor
...e fé

Oreny Júnior
(esse poema refere-se ao cotidiano da mulher na cultura do cacau, cidade de Ipiaú-BA)

sexta-feira, setembro 03, 2010

inferno

porra paixão
você me enganou
me disse que o horizonte
era logo ali
logo ali porra nenhuma
esse horizonte logo ali
não existe
é longe pra caralho
porra paixão
o céu aqui é cinzento
não existe umidade relativa do ar
meus lábios estão secos
meu corpo não transpira
40ºC na sombra
não existe sorvete
a fábrica de cerveja fechou
estou fudido
porra paixão
você me enganou
o clube da esquina
fugiu de mim
estou num corredor polonês
respiro amônia
enxofre
gás sulfídrico
porra paixão
nada a ver
nada haver
meu amigo
me empresta bukowski
o velho rabugento
o pajé pede chuva
e nada...
ele diz
que se fodam os mares imaginários
a regra aqui
é a morte asfixiada
pelo nada
em nome de um tudo
porra paixão
você me enganou...

Oreny Júnior

quinta-feira, setembro 02, 2010

corpo²

seu corpo
em minha língua
sua língua
em meu sal
suado
sal
a
rio
meu corpo
em sua língua
minha língua
em seu sal
amado
sal
a
rio

Oreny Júnior

terça-feira, agosto 31, 2010

não é minha praia...

não é minha praia
mas fui na sua onda
nem tanquanto meu carnaval
mas saí a contra gosto
de pierrô
aguardando você
a colombina
é setembro
anunciam a primavera
e cadê as flores?
nem cartas
com erros grosseiros
de um português ruim
você anuncia pra mim
é isso
faz parte
a fila andou
é o que escuto
ok meu bem
você venceu
não é minha praia
mas fui na sua onda

Oreny Júnior

sábado, agosto 28, 2010

a poesia de ontem

a poesia de ontem
era recheada
com guevara no peito
chaplin do outro lado
acendia as luzes da ribalta
bruno tolentino
jogava tomates em oswald
e o meu país varria
as cinzas de um golpe de galinhas
os irmãos campos me encantavam
com as páginas em concreto
natal fervia com falves e moacy
navarro
seu luís
isso era a poesia de ontem
saudade da poesia de ontem
amém janilson
amém nina rizzi
que louvem e cantem
num eterno sempre presente
a poesia de ontem

Oreny Júnior

sexta-feira, agosto 27, 2010

encontro das águas

a poesia anda ausente
como as cartas desastrosas
de iwska isadora
cartas duvidosas
cheias de medo
como o encontro das águas
rios
mares
pororocas
hoje o amor se delicia
com a verdade
e a carícia da alma

Oreny Júnior

quinta-feira, agosto 26, 2010

vou no rumo do sertão

vou no rumo do sertão
com estrelas seridó
com as colchas de retalhos
trançando poesias
em formas de hai kai
concreto
processo
vou no rumo do sertão
irrigando as estiagens
nesse vale solidão
vou no rumo do sertão
nesses 3.300 de estradas quilométricas
sertão nosso de cada dia
sua lamparina é minha estrela

Oreny Júnior

domingo, agosto 15, 2010

voos de araras

sobre minha cabeça
voos de araras
tucanos
uma fauna rasgando
sons na batuta
de manoel de barros
composição de girassóis
dorian gray
newton navarro
as araras formam
um caleidoscópio aéreo
polígonos verticais
definem meu olhar poético
belo
belo como Deus

Oreny Júnior

a memória de cizino

mais um personagem
da rua caruarú
sai de cena
cizino
o alecrim perdeu um torcedor
cizino
de corpo esquelético
de alma discreta
que Deus abençoe
que confortem
dona tôta
paco paco
zilma
amem

Oreny Júnior

sábado, agosto 14, 2010

sou a mulher...

sou a mulher
maga
sou a mulher
zefa
sou a mulher
santa
sou a mulher
glória
sou a mulher
vanúzia
sou a mulher
itanagira
sou a mulher
iara
sou a mulher
isadora
sou a mulher
núbia
sou a mulher
fernanda
sou a mulher
severa
sou a mulher
naninha
sou a mulher
que pariu sentimentos
que pariu dores
que pare constantemente
seus amores
sou a mulher cobiçada
poeta pra todas as horas
pra cama em todos os desejos
sou a mulher
que reclama
meu macho sumiu
sou a mulher solidão
quartos amplos
camas frias
sou a mulher
que não finda a tpm
totalmente pirada e maluca
sou a mulher mulher
sinto ciúmes
em ser o homem que sou

Oreny Júnior